Mercado imobiliário americano se recupera nos últimos meses

Os indicadores mostram, porém, que retomada é gradual, com possibilidade de altos e baixos

30 de junho de 2014 - Uma das maiores apostas para garantir um crescimento mais forte em 2014, o mercado imobiliário americano começou a mostrar alguma recuperação nos últimos meses, após um começo de ano bastante decepcionante. Os indicadores, porém, ainda apresentam um desempenho contraditório, sugerindo que está em curso uma retomada gradual, ainda com a possibilidade de altos e baixos.

O comportamento do setor é um dos motivos que ajudam a entender por que a economia vai crescer em 2014 menos que os cerca de 3% esperados na virada do ano - hoje, as estimativas estão mais próximas de 1,6% a 1,7%.

Um conjunto de fatores explica o fôlego menor do mercado imobiliário neste ano, como a alta dos juros dos financiamentos imobiliários e o aumento dos preços dos imóveis ocorridos desde meados do ano passado, que encareceram o valor dos financiamentos. Além disso, os bancos estão mais rígidos na concessão de crédito. Para completar, o inverno rigoroso também afetou o segmento no começo do ano.

Em maio, alguns indicadores mostraram um mercado mais saudável. As vendas de casas novas, por exemplo, aumentaram 18,6% em relação a abril, na série com ajuste sazonal, enquanto as de imóveis usados subiram 4,6%. A construção de casas novas, contudo, levou um tombo de 6,5%.

Mesmo os dados mais positivos precisam ser vistos com alguma cautela. Apesar do forte aumento na venda de casas novas, o número ainda é muito inferior ao observado antes da crise. Em maio, elas atingiram 504 mil unidades, bem abaixo do mais de 1,2 milhão por mês que se observava com frequência em 2005 e 2006. Ainda que o desempenho naqueles anos fosse inflado pela bolha imobiliária, o resultado atual não indica um mercado aquecido.

Para Mark Vitner, economista-sênior do Wells Fargo, o aumento do valor das prestações dos financiamentos imobiliários desde maio de 2013 contribui para o desempenho do setor abaixo do esperado. Segundo ele, os juros dos financiamentos subiram de 3,5% para 4,2% ao ano no período, ao passo que os preços das residências se valorizaram 6,2%. Combinados, resultam no salto de 17% do valor a ser pago mensalmente por quem adquire um imóvel, diz ele.

A taxa dos financiamentos aumentou depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter indicado, em maio de 2013, que cogitava retirar gradualmente os estímulos monetários, o que anunciou de fato a partir de dezembro passado. Para completar, isso ocorre num cenário em que os salários aumentam a um ritmo modesto, de cerca de 2% ao ano, um reflexo da folga que continua a existir no mercado de trabalho.

"O mercado ainda está constrangido pelas condições de crédito apertadas", diz, em relatório, a economista Michelle Meyer, do Bank of America (BofA) Merrill Lynch. "Está claro que o crédito não está fluindo livremente no mercado imobiliário".

O economista Patrick Newport, da consultoria IHS Global Insight, afirma que construtoras e incorporadas também enfrentam um cenário mais difícil para conseguir financiamento, já que bancos locais estão mais cautelosos na hora de conceder empréstimos. Isso atinge a oferta de imóveis.

Newport espera uma recuperação gradual do setor nos próximos meses. O investimento residencial no Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, deve voltar a ter variação positiva a partir do segundo trimestre deste ano, depois de ter recuado a uma taxa anualizada de 7,9% no quarto trimestre de 2013 e de 4,2% no primeiro trimestre deste ano. Para Meyer, que viu boas notícias nos números de maio, a recuperação do mercado imobiliário está em curso, mas será gradativa, e haverá solavancos à frente.

O crescimento do PIB em 2014 ficará bem abaixo dos 3% que eram projetados na virada do ano, especialmente por causa da queda anualizada de 2,9% no primeiro trimestre. O mau desempenho do mercado imobiliário teve algum impacto sobre esse número, mas o ritmo mais lento da acumulação de estoques e uma queda das exportações tiveram um efeito mais forte.

Além disso, o inverno no país foi muito rigoroso, o que afetou o consumo e o próprio segmento imobiliário. A expectativa é de um ritmo mais robusto no restante do ano. Para o ano fechado, porém, o estrago foi feito. O BofA Merryll Lynch projeta expansão de 1,6% em 2014, e a IHS, que trabalhava com 2,1%, deve diminuir a estimativa para a casa de 1,7%.

Fonte: Valor econômico

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